sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

O outro

Aspirador de pó quebrado, chiadeira geral da companheira trabalhadora doméstica. E lá fui eu na loja de consertos de eletrodomésticos para viabilizar dias melhores no convívio do lar. Chego no balcão e a atendente logo pega o equipamento e, depois de mexer aqui e ali, diz que a análise demora um pouquinho. Durante todo esse diálogo, que durou cerca de três minutos, ela não olhou pra mim. Tudo bem, fim de ano é assim mesmo: todo mundo apressado, doido para que o ano acabe para dar início aos afazeres do próximo ano. Enquanto espero pelo orçamento, olho a vitrine da loja de consertos, que também vende produtos novos. Afinal, nenhum estabelecimento de consertos é de ferro... em tempos de consumo desenfreado, se algo quebrou compra-se outro novinho em doze vezes sem juros no carnê. Depois de concluir que não preciso de nada, coisa que durou outros três minutos, volto para o balcão onde a mesma atendente está e sou surpreendida com a pergunta: "A senhora já foi atendida?". A crise de riso foi inevitável, fato que desagradou imensamente a outra companheira trabalhadora. Não tinha a intenção de ser irônica, como pensou a "moça", só achei estranho alguém ter esquecido a fisionomia de outra pessoa em tão pouco tempo. Como não mudei muito em três minutos, só pude chegar a uma conclusão: como está difícil olhar o outro. Olhar de verdade, com o desejo de trocar um pouco de afeto, mesmo que por três minutos.

2 comentários:

Murilo Ribeiro disse...

Nossa...ela poderia ter sido pelo menos mais fina, né? Ter dito o clássico: "Acho que te conheço de algum lugar..."!rs
Eu, hein!

Bárbara Pereira disse...

Cálega,

depois dizem que é coisa de suburbano. Na nossa terra, ela teria me chamado de cólega, teria contado meia dúzia de coisas pessoais e ainda falaria sobre o pagode badalado do momento. Povo sem graça esse da zona sul....rs
bjs