quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Costela no bafo

Minha primeira resolução de ano novo foi me transformar em Juliana Paes. Isso mesmo, aquela pessoa sem coração que vai à praia sem medo e sem dó nenhuma das outras pobres mortais. Para tentar alcançar tal proeza, fui procurar ajuda numa clínica estética, não vou citar aqui o nome da instituição porque estou no meio do processo, vai que algo não vai bem (toc, toc, toc). A proposta é perder algumas medidas e, se Deus quiser, poder usar ainda no verão de 2010 um biquíni branco de lacinho. O programa estético começou ontem, foi o primeiro dia de uma saga que terá o seu fim na sexta-feira. Chego empolgada, afinal estou de férias e tudo o que preciso nesse início de ano é cuidar de mim.

Primeiro ato

A primeira etapa consiste em uma esteticista espalhar, com o auxílio de uma espátula, um produto com consistência de gel nas partes que, supostamente, vão ser exorcizadas desse corpinho porque, sinceramente, não me pertencem. Em seguida, a gentil moça - com sua espátula protetora - embrulhou essas mesmas partes com um filme de PVC, aquele mesmo usado pelas donas de casa para guardar sobras de comida. Foi desse momento em diante que a coisa desandou...me senti a costela servida no Cachambieer (para quem não conhece, é um bar no Cachambi), que antes de ir para a churrasqueira fica de véspera enrolada no plástico cheio de molho. Foram 30 minutos envolvida por plástico, fios e placas com o objetivo de queimar tudo! Igual às promoções das Casas Bahia.

Segundo ato

E vocês acham que a queima total parou ali? Nada disso. A segunda etapa tem mais queimação. Mais creme nas partes que não me pertecem, mais PVC e tome manta quente! Outros 30 minutos torrando até meus pensamentos, que naquele exato momento começaram a esquentar também: o que estou fazendo aqui? Por que fui me meter nisso nas férias, meu Deus?


Terceiro ato

Nessa última etapa do projeto verão eu tive a certeza de que a vida é dura com as mulheres. Sim, porque a gente sofre pra andar na areia da praia com alguma dignidade enquanto os homens desfilam suas barrigas de chope como se troféus fossem. Mas voltemos ao caso da queimada total. O último procedimento é ainda mais agradável: várias placas são ligadas a outros vários fios que te dão vários choquinhos para estimular o seu sistema linfático. Simples assim. Amarrada e levando choques foi difícil achar graça da brincadeira. E mais uma vez me perguntei: meu Deus, por que nós, mulheres, fazemos isso? E não me venham dizer que isso é coisa de mulher neurótica e submissa a ditadura da beleza não. Reparei bastante nas minhas companheiras de tortura e dei de cara com senhora de fino trato que seria capaz de desenvolver tese acadêmica sobre isso, mas estava lá igual a qualquer mortal querendo ser feliz com o espelho.


Na sexta-feira eu conto se a costela ficou com ou sem gordura!


2 comentários:

Murilo Ribeiro disse...

KKKKKKKKKKKKKKKK! Sensacional! Nada como a experiência de consumidora de boteco (pra não dizer adepta de um cervejal...rs!) mesclada ao passado de repórter de revista de beleza, hein?
Bota fé, Cálega! Esse choque de ordem no corpitcho vai dar certo!
E, sobre o trauma do papel-filme, lembre-se: poderia ser pior! Poderiam colocar você dentro de um tupperware gigante! Ou, em bom português, guardar tuas sobrinhas num teipoué dentro do frizi da vizinha!!rs...
Bj!

Bárbara Pereira disse...

Cálega,

além de tudo isso, ainda virei emergente, não é mesmo? Pelo menos é o que comentam nos bastidores de uma redação que a gente conhece bem...rs

Bjs