domingo, 8 de fevereiro de 2009

O amor nos tempos do cólera

Eles já não viviam juntos fazia tempos. O amor havia acabado, mas a falta de grana impedia a separação como deve ser: cada um no seu lar. A casa de dois quartos era pequena, mesmo assim tentavam conviver cordialmente. E assim iam tocando a vida. Até que um dia a mulher arrumou um namorado: o padeiro do bairro. Homem brabo, de temperamento forte. Numa tarde de sábado ele encasquetou com aquela estranha situação, tão avançada para os padrões daquela cidade. Enfurecido, o sujeito resolveu resgatar a sua amada daquele castelo sem luxo nem riqueza. Dirigindo uma Brasília marrom 76, o padeiro colocou abaixo os portões de madeira da residência. Ao ver a cena, o ex-marido se viu na obrigação de tomar uma atitude mais drástica para lavar a honra do lar invadido. Foi ao quarto, pegou um revólver calibre 32 e deu quatro tiros no valentão. A arma, guardada havia anos, não cuspiu uma bala sequer. A mulher nunca mais se apaixonou por ninguém.

4 comentários:

Sergio Brandão disse...

Ahahahahahahahahahaha!!!!.....
Adorei a maneira discreta e sutil de contar esta história pra lá de (sur)real!!.. Muito bom isso!!! Me lembrou aquele quadro que a Denise Fraga estrelava no "Fantástico"... rs E o título que você deu foi per-fei-to!!! Não poderia ser mais apropriado... rsrs Bjsss.

Murilo Ribeiro disse...

Morri de rir também! E totalmente na linha de que o mundo é mais Almodóvar que imaginamos...rs!
Bj!

Surfista disse...

Como diria o Nelsão, é a vida como ela é. Mulher adora homem brabo.

Bárbara Pereira disse...

Sérgio: vc não precisava deixar claro para os meus 11 leitores que já conhecia essa história. Só pra ficar ainda mais claro: não foi comigo não!

Murilo: Almodóvar é ou não é um gênio? E olha que ele não conhece o subúrbio carioca.

Surfista: Nelson e Almodoóvar têm muito em comum. Agora, esse negócio de dizer que mulher adora homem brabo... sei não.