segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Lorena Bobbit

Festa de casamento, mulher, toda "trabalhada no brilho", comenta com o marido:

- Querido, olha aquela moça ali ao lado. Tão nova e tão gordinha, né?

- Querida, acho que você está olhando para o espelho!


Depois baixa o espírito da Lorena Bobbit na figura e ninguém entende o porquê.

sábado, 15 de agosto de 2009

Tesoura cega

Essa história já aconteceu há algum tempo, mas lembrei dela ontem ao ver que pela 59ª vez a TV Globo reprisava o filme "Elvira, a rainha das trevas". Costumo cortar as madeixas num salão ou, melhor, num hair stylist (porque salão é coisa de subúrbio) e um dia, pensando nas minhas economias, comentei com uma amiga que precisa arrumar um profissional mais barato. Ela, consultora de moda antenada, respondeu sem pestanejar:

- Querida, o mundo da moda está indo num cara ali de Botafogo. Ele é modernésimo, faz altos cortes e ainda cobra baratinho, 50 reais!

Me empolguei imediatamente. Dias depois, resolvi encarar o cabeleireiro dos sonhos: bom e barato. Feliz e contente por ser meu aniversário, segui rumo ao que toda mulher gosta em dia de aniversário: tirar o dia para ser princesa, porque a plebeia rola o ano inteiro. Chegando no Coiffeur, porque salão também não é, encontro um sujeito blasé, com uma blusa hering preta, um colete preto e um par de óculos redondo. Devia ter seguido minha intuição: aquilo não ia dar certo. Ele tinha cara de "conceito", com diz um amigo meu, o que, definitivamente, não combina com quem corta cabelos. Insisti. Sentei na cadeira e disse:

"pode manter o corte".

Foi o meu mal. Eu pensando que ele ia seguir o trabalho do hair stylist e ele pensando que ia fazer arte contemporânea na minha cabeça. Adivinha com quem fiquei parecida? Não adivinhou? Então volta para o começo do texto e guarda o nome da personagem do filme!

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A hora das Balzacas

Feira do Humaitá nesta quarta-feira. Mulher aparentando uns 35 anos desfila seu derrière avantajado por entre legumes, verduras e frutas quando um dos feirantes - povo que não perde uma piada de duplo sentido - esganiça o pouco da voz que lhe restava naquele início de xepa:

- Ei querida, a Norminha não chega aos seus pés.


E viva o povo brasileiro!

domingo, 2 de agosto de 2009

Trilogia - terceira parte

Ao ouvir essa pérola do machismo brasileiro, continuo andando e tento atravessar a rua na faixa de pedestres. Dois argentinos jogam aqueles bastões pegando fogo, com o intuito de ganhar uns trocados. Não sei se tenho medo do fogo ou da gripe suína. Chego em casa. Vou beber água para que esses delírios possam ir embora.

Trilogia - segunda parte

Saio da loja e, depois de 4 chopes e uma dose de contreau, acho melhor ir pra casa. No caminho, reconheço as batinhas listradinhas e de bolinhas por cima dos micro-shorts. Vejo um velho saindo da farmácia que, de repente, faz um garotão parar também repentinamente. O velho fala alguma coisa ao ouvido do rapaz, que retira o fone do Ipod para poder escutar o que diz a voz da sabedoria. Eis o sobe-som (como se diz na televisão):

-Vi lá de longe.


Advinha sobre quem eles estão falando?

Trilogia - Primeira parte

Final de do domingo nas Lojas Americanas do Humaitá. Duas jovens bronzeadas, uma com uma batinha listradinha e outra com uma batinha roxa com bolinhas brancas, se divertem à procura de um DVD. Acompanhadas de um adolescente com cara de intelectual, elas debocham de tudo, da capa do dvd à capa das revistas. O jovem, a quem elas devem fazer de gato e sapato, escolhe um filme. Elas, se dó nem piedade, fazem piada da sua escolha:

- Olha só o filme que ele escolheu! Quem é Fellini?

Nessas horas, e só nessas horas, não tenho inveja da juventude e lembro das aulas inacabadas de catecismo: Senhor, elas não sabem o que dizem... literalmente!

sábado, 1 de agosto de 2009

Psicologia barata

Não sei se são os óculos ou o meu jeito de quem leva a vida a sério, só sei que de vez em quando pessoas conhecidas e outram nem tanto assim resolvem desabafar comigo repentinamente. Você tá assim meio distraída e numa fração de segundos o guardador de carros do estacionamento do seu trabalho resolve colocar pra fora as mágoas conjugais:

- minha mulher pediu para a gente morar em casas separadas, por isso não reclamo de ficar aqui até de madrugada.

O que fazer numa situação dessas? Olho pro chão e tento buscar lá no meio da minha mente atribulada algo que possa ajudá-lo:

- Morar em casas separadas é legal. Você não precisa dar satisfação numa sexta-feira à noite.


Freud não falava que tudo era sexo. Então? Ajudei ou não ajudei?