terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pura maldade

Acabei de chegar de um bloco de jornalistas, que concentra e não sai todos os anos na rua do Lavradio, no centro da cidade. O enredo deve falar sempre de uma tragédia. Esse ano eles resolveram homenagear o padre baloeiro. Os caras encheram um monte de balões e penduraram um boneco, que teimava em não subir. Não satisfeita, essa gente de coração ruim resolveu tirar as pernas do brinquedo para que, assim, ele pudesse ser levado pelos balões. E lá foi aquele tronco de boneco céu afora. Cheguei pra uma amiga e falei que era muita maldade, afinal o padre tinha morrido. A resposta foi nua e crua:

- Ele não queria ser lembrado? Então, é o que estamos fazendo.

É como diz aquele colunista: jornalistas, ô raça!

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Quero ser Miss

Gente, eu não tenho esse péssimo hábito não. Mas hoje, inflamada por uma curiosidade que não sei de onde veio, resolvi colocar o meu não-famoso nome no Google para ver o que acontecia. A primeira descoberta é que tem Bárbara Pereira a dar com pau (expressão veeeellhhaaaa...). A segunda é que a Miss Sobradinho de 2005 chama-se..... Bárbara Pereira. Imediatamente lembrei da peça Cócegas em que a personagem queria ser eleita Miss Sobral porque estava cansada de ser vista como uma mulher inteligente. Acho que vou aderir a essa campanha. Não quero saber nada sobre crise econômica, reforma ortográfica ou sobre o modelo pedagógico do momento. Cansei! Quero dar tchau com a mão direita grudadinha, sem medo daquela pelezinha dos infernos embaixo do bíceps.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Super sincero

Amiga do blog foi hoje fazer um procedimento estético numa clínica e precisou sair de casa com camadas de anestésico de cor branca. As listras seguiam do nariz até a boca, aquela região chamada de "bigodinho chinês". Dirigiu até a clínica, entregou o carro ao manobrista e, envergonhada, tentou se desculpar pela estranha aparência:

- Acho que você já deve estar acostumado a ver mulher assim por aqui.

Resposta do malandro:
- Não tem problema não, hoje é sexta-feira treze meeeeeissssmo!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A crise e o povo brasileiro

Feira da Rua Maria Eugênia, no Humaitá, hoje de manhã.


Freguesa: quanto é essa alface roxa?

Feirante: 2 reais.

Freguesa: Aí, tu qué que a gente se atraque aqui mesmo, num qué?

Toco dos infernos

Resposta de uma mulher diante da piada que o marido fazia sobre a altura do Tom Cruise:

- Toco? Ahh... queria esse toco lá em casa. Ia fazer uma fogueira imensa na minha cama.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

O amor nos tempos do cólera

Eles já não viviam juntos fazia tempos. O amor havia acabado, mas a falta de grana impedia a separação como deve ser: cada um no seu lar. A casa de dois quartos era pequena, mesmo assim tentavam conviver cordialmente. E assim iam tocando a vida. Até que um dia a mulher arrumou um namorado: o padeiro do bairro. Homem brabo, de temperamento forte. Numa tarde de sábado ele encasquetou com aquela estranha situação, tão avançada para os padrões daquela cidade. Enfurecido, o sujeito resolveu resgatar a sua amada daquele castelo sem luxo nem riqueza. Dirigindo uma Brasília marrom 76, o padeiro colocou abaixo os portões de madeira da residência. Ao ver a cena, o ex-marido se viu na obrigação de tomar uma atitude mais drástica para lavar a honra do lar invadido. Foi ao quarto, pegou um revólver calibre 32 e deu quatro tiros no valentão. A arma, guardada havia anos, não cuspiu uma bala sequer. A mulher nunca mais se apaixonou por ninguém.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O politicamente correto no subúrbio

Essa onda do politicamente correto não é nova, todos sabem. Dizem que começou lá nos EUA e já faz um tempo que aportou por aqui. Concordo que é necessário, que ninguém pode sair por aí reforçando preconceitos como se o mundo não tivesse mudado. Estamos na era do respeito ao outro, embora a gente ainda conviva - e muito - com o desrespeito. Entretanto, todo mundo sabe também que o politicamente correto em excesso é chato demais, além de ser ceifador da criatividade e do "savoir faire", algo comum no povo brasileiro. Mas esse negócio de politicamente correto - para o bem e para o mal - muitas vezes não pega no subúrbio não. Lá em Realengo, por exemplo, tinha um sujeito que vivia doente. Vez em vez ele ia parar no hospital - público, claro - com algum problema de saúde. Magriiiinho...parecia um papel. Os vizinhos sempre ficavam apreensivos quando o camarada sumia, esse era o sinal de que ele estava internado em algum lugar. Por causa desse vaivém nos hospitais, a população local - que perde o amigo, mas não perde a piada - apelidou o homem de.....IMORTAL. Isso mesmo, meus 11 leitores. No subúrbio esse negócio de politicamente correto é coisa de doutor.